A Doença Renal Crônica (DRC) é um processo de doença com múltiplas etiologias, geralmente, conduzida por um terminal de informação (Doença Renal Crônica Terminal). Neste artigo, há uma revisão progressiva e irreversível da função renal e pode ser utilizada em uma terapia de substituição (diálise) e / ou transplante renal.

Devido aos avanços médicos e tecnológicos, uma pessoa com peso renal tem uma possibilidade de viver muito mais tempo e com mais qualidade de vida. No entanto, a prolongada doença renal crônica aumentou nos últimos anos, sendo particularmente alta entre as pessoas idosas.

Uma das maiores e menos estudadas consequências da DRC é o declínio cognitivo e as demências. O termo “cognição” abrange aspectos da função cerebral referentes a vários domínios: atenção, linguagem, memória, aprendizagem, raciocínio, tomada de decisões e resolução de problemas.

As pessoas portadoras de DRC integram uma população de alto risco para o declínio cognitivo e este declínio é maior entre os doentes renais do que na população em geral.

As razões para este acontecimento não estão totalmente definidas mas são várias as hipóteses:

  • A DRC é, maioritariamente, causada por Diabetes e/ou Hipertensão Arterial e, portanto, as pessoas com DRC estão polimedicadas, factor que pode afectar a cognição.
  • A DRC leva a alterações metabólicas representadas pela retenção de toxinas urémicas. Uma vez que a urémia afecta tanto o Sistema Nervoso Central (SNC) como o periférico, as pessoas com défice renal apresentam certas repercussões cognitivas, levando a alterações de atenção, memória e concentração.
  • Uma função renal deficitária tem impacto noutros sistemas e funções corporais, nomeadamente a nível cardíaco e cerebrovascular e este facto contribui para a ocorrência de demência.
  • O stresse oxidativo, a inflamação crónica, a anemia e a disfunção endotelial, podem ser importantes motivos que conduzem a perda cognitiva.
  • A diálise contribui directamente para o declínio cognitivo, uma vez que induz a isquemia cerebral. A redução drástica de líquidos intravasculares e as trocas de fluidos que ocorrem durante as sessões, podem ocasionar edema e reduzir o aporte de sangue ao cérebro.

O declínio cognitivo leva ao prejuízo cognitivo que se caracteriza por ser um défice das áreas do funcionamento cognitivo. Estas áreas incluem perturbações da memória, funcionamento executivo, atenção, velocidade de processamento de informações, capacidade visual e motora e dificuldades na comunicação. Estas perturbações podem ser graves o suficiente para interferir nas actividades habituais da pessoa.

O prejuízo das funções cognitivas ocorre com frequência na DRC e as condições mais associadas a esses prejuízos são a depressão, o delirium, o comprometimento cognitivo leve e a demência.

A depressão é extremamente comum nas pessoas com DRC. Também a DRC está fortemente associada à incidência de demência, principalmente do tipo vascular e, em comparação com a população geral, a prevalência de comprometimento cognitivo é maior em pessoas com falência renal, em especial pessoas com tratamento de diálise. O comprometimento cognitivo leve é qualitativamente similar à síndrome demencial, mas não traz tanto impacto nas actividades diárias da pessoa.

A maioria dos estudos sugere que, quanto maior a gravidade da DRC, maior a progressão do declínio cognitivo. No entanto, estudos mais recentes que comparam as pessoas com DRC com pessoas sem antecedentes de doença renal confirmam o maior risco de prejuízo nas funções cerebrais em todas as fases da DRC.

Esta problemática é pouco reconhecida pelas equipas de saúde. Mas é mais do que urgente reforçar que a deterioração das funções cognitivas associa-se à queda da qualidade de vida, leva a um aumento do tempo dedicado ao cuidado da pessoa doente, a um maior uso dos recursos de saúde, a hospitalizações mais frequentes, a um aumento do número de dias de internamento, à inabilidade para tomar decisões, a maior progressão da doença cerebrovascular e há um risco maior de morte.

Deste modo, encontra-se um elevado número de pessoas doentes que podem estar a ter repercussões a nível cognitivo que as impossibilite de estar a usufruir em pleno dos seus contextos social, laboral e pessoal.

Epidemiologia

Os estudos mostram que a prevalência do défice cognitivo em doentes renais crónicos varia entre 40% a 60%. Os estudos também concluíram que esta prevalência aumenta consoante a progressão da doença renal, tendo prejuízos mais significativos em doentes no último estádio da doença renal crónica, em comparação às pessoas que se encontram nos estádios 3 e 4.

Também a prevalência de disfunção cognitiva é alta em pessoas com DRC em tratamento dialítico, apesar de esta condição ser pouco diagnosticada e pouco estudada. Num estudo recente, doentes em diálise, em comparação com a população geral, apresentaram um pior desempenho nas tarefas que avaliaram a função executiva.

Sinais e Sintomas

As manifestações neurológicas mais precoces são as alterações do estado de alerta e consciência do meio que rodeia a pessoa. Sintomas como baixa capacidade de concentração, problemas relacionados com a memória, mudanças no comportamento e no humor, sinais de irritabilidade e distúrbios do sono, são reflexo da instalação de défice cognitivo. Com o agravamento do quadro de DRC ou numa agudização da Doença Renal Crónica, notam-se sinais como tremores, fasciculações e espasmos musculares, da mesma forma que outras funções cognitivas passam a ficar alteradas, como a dificuldade de raciocínio abstracto. A pessoa pode tornar-se letárgica, evoluindo para o estágio de estupor e coma, quase sempre acompanhado de convulsões.

Através dos sinais e sintomas, é possível averiguar se uma pessoa com DRC apresenta défices cognitivos e esta sinalização é deveras importante, uma vez que gera um impacto positivo na evolução do estado de saúde da pessoa: se esses sinais e sintomas forem secundários a condições potencialmente tratáveis (como depressão e delirium), está-se a melhorar a qualidade de vida da pessoa com DRC, tratando-a.

A depressão é uma condição prevalente nas pessoas com DRC, sendo que os sintomas depressivos em pessoas com DRCT têm uma prevalência maior que 20% a 25%, face à população sem esta patologia. A depressão é a segunda co morbilidade mais frequente em pessoas com doença renal em fase terminal, ficando apenas precedida pela hipertensão arterial. Esta doença implica diversos sintomas como a redução da auto-estima, a não adesão ao regime terapêutico, a falta de energia e de iniciativa, desesperança e, eventualmente, pode levar ao suicídio/morte. A depressão é ainda um factor de risco para as quedas e a má nutrição e associa-se ao aumento da mortalidade dos doentes em hemodiálise.

Por seu turno, o delirium, é uma síndrome caracterizada por alteração da consciência e das funções cognitivas, com início rápido e progressão flutuante. Os internamentos hospitalares favorecem o delirium, assim como as alterações do metabolismo de certas medicações.

Diagnóstico

O momento ideal para a avaliação da função cognitiva e os instrumentos a serem utilizados para essa mesma avaliação, dependem da situação clínica da pessoa. Um dos testes mais utilizados (estando disponível e traduzido para a população portuguesa) é o Mini Exame do Estado Mental (MMSE). É uma avaliação relativamente rápida que necessita de ser feita à própria pessoa (é esta que responde aos vários itens). Mas existem outras avaliações neuropsicológicas e exames radiológicos que, exigindo um maior tempo de aplicação e/ou um maior custo, são imprescindíveis para indagar os défices nos diferentes domínios cognitivos, de forma meticulosa.

O diagnóstico do declínio cognitivo nas pessoas com DRC tem um forte impacto no tratamento e/estabilização dos sintomas e na progressão da doença, podendo reverter este declínio ou reduzir e prevenir algumas manifestações, aumentando a qualidade de vida da pessoa doente.

Tratamento/Prognóstico

O desempenho neuropsicológico tende a melhorar com o início dos tratamentos dialíticos, sendo que as pessoas em programa regular de diálise apresentam menor défice cognitivo, quando comparadas àquelas que estão em fase pré-dialítica. No entanto, podem persistir algumas disfunções cognitivas, mesmo após a instituição do tratamento, principalmente nos domínios da atenção, flexibilidade cognitiva, memória e aprendizagem.

Também o transplante renal pode melhorar e, inclusive, reverter alguns défices cognitivos, apesar dos prejuízos na memória verbal e nas funções executivas poderem permanecer. Isto pode ser explicado porque, apesar de o transplante renal, habitualmente, melhorar os factores metabólicos associados à DRC, as co morbilidades clínicas persistem e podem conduzir ao declínio cognitivo persistente.

Reportando-se agora, em específico, ao quadro demencial, este parece complicar o tratamento de pessoas com DRCT e piorar o seu prognóstico. Na demência, as pessoas apresentam défices em, pelo menos, duas das seguintes áreas do funcionamento cognitivo: memória, função executiva, atenção, habilidade viso-espacial, velocidade de processamento ou linguagem. Observa-se um declínio que compromete as diferentes esferas da vida do indivíduo, nomeadamente a nível familiar, social e laboral.

No entanto, a demência não se restringe a pessoas com DRCT: há um estudo que avaliou, numa população de portadores de insuficiência renal moderada sem demência no início do estudo, o seu estado mental e seguiu essas pessoas durante 6 anos. O estudo concluiu que houve uma maior incidência de demência vascular, associada a níveis de creatinina sérica mais elevados.

Como Prevenir

  • Evite comportamentos e decisões incoerentes e irreflectidas que afectam negativamente a sua vida.
  • Livre-se de pessoas nocivas: as pessoas são contagiosas e deve rodear-se de pessoas que o façam rir, que o incentivem a ser física e emocionalmente saudável e que que sejam realmente um apoio.
  • Evite lesões e traumatismos cerebrais.
  • Tenha cuidado com as toxinas: drogas ilegais, medicamentos (analgésicos, benzodiazepinas), tabaco, café em excesso, toxinas ambientais (pesticidas, bolor).
  • Cuidado com os alimentos mais susceptíveis de serem contaminados com pesticidas, hormonas e mercúrio: pêssegos, morangos, maçãs, pimentos, espinafres, batata, uvas, couve, atum e peixe-espada. Opte por comprar estes alimentos o mais biológico possível.
  • Prefira peixes com menos mercúrio e ricos em ómega 3: salmão, pescada, cavala do atlântico, robalo, lulas assadas.
  • Cuidado com a exposição aos radicais livres (atacam as células, danificam o DNA e aceleram o envelhecimento): evite o tabaco, gorduras trans, exposição ao sol, carnes e peixes grelhados no carvão e exercício físico excessivo.
  • Limite o consumo de álcool a não mais do que 4 copos de álcool por semana e opte por vinho maduro tinto.
  • Beba 2 a 3 chávenas de chá verde por dia.
  • Ingira proteína magra e de boa qualidade (peixe; carne como frango, coelho e peru, ovos biológicos).
  • Limite o consumo de gordura, preferindo aquelas que contém ómega 3 e 6: abacate, bacalhau, brócolos, cavala, couve-flor, nozes, salmão selvagem, sardinhas, sementes de linhaça.
  • Coma alimentos de muitas cores para manter a quantidade de antioxidantes e evitar os radicais livres: quiwis, beterraba, ameixa, amoras, romãs, framboesas, mirtilos.
  • Cozinhe com ervas e especiarias, pois, para além de evitar o sal, protege o seu cérebro: açafrão, canela, tomilho, orégãos, alho, gengibre e alecrim.
  • Coma hidratos de carbono “inteligentes” (que não façam aumentar muito o açúcar no sangue e sejam ricos em fibra): arroz integral ou basmati, flocos de aveia, feijão, grão-de-bico, lentilhas, maçãs, pêras, ameixas, ervilhas congeladas, brócolos, pepino, alface, abóbora, tomate, curgete, leite magro, leite de soja e iogurte magro.
  • Fuja dos açúcares e dos alimentos processados.
  • Realize exercício físico e inclua treino de resistência e força (musculação).
  • Tenha um sono de qualidade: durma, no mínimo, 7 horas por noite.
  • Aprenda coisas novas sempre que tiver oportunidade.
  • Evite ficar ansioso, depressivo ou stressado.
  • Mantenha uma disposição otimista.
  • Arranje sempre um sentido e aplique na sua vida .

Você pode começar a procurar estratégias e programas de comunicação que sejam de sua saúde, física e emocional. Faça o mesmo e nas pessoas que realmente se preocupam consigam. O seu cérebro, par com os seus rins, agradecem!

Extraído: www.portaldadialise.com