O Núcleo Científico da SOBEN foi criado com o objetivo de fortalecer a prática da Enfermagem em Nefrologia baseada em evidências científicas, promovendo o acesso a artigos, estudos e conteúdos atualizados da área.

O grupo é formado por profissionais da enfermagem com diferentes áreas de expertise dentro da nefrologia, permitindo a seleção e divulgação de conteúdos relevantes para a prática assistencial, gestão, segurança do paciente, acessos vasculares, diálise peritoneal, transplante renal, terapias nefrointensivas, entre outros temas.

Os artigos científicos serão divulgados semanalmente, com periodicidade de uma publicação por semana, tanto no Instagram da SOBEN, através do destaque “Educação”, quanto nesta área do site, onde os profissionais poderão acessar os materiais e links para leitura completa dos artigos.

A iniciativa reforça o compromisso da SOBEN com a educação continuada, a atualização científica e o fortalecimento da enfermagem nefrológica no Brasil.

Membros do Núcleo Científico da SOBEN

Coordenadora: Viviane Ferreira

Membros:

  • Andréia Pessoa da Cruz
  • Ariane Pessoa Ambrosio Bartoli
  • Cintia Henriqueta Alves de Oliveira
  • Polyana Bezerra Mendonça
  • Francisco Thiago Santos Salmito
  • Silvia Helena Silva do Nascimento

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Resumo:

Introdução: O Censo Brasileiro de Diálise (CBD) anual desempenha papel fundamental na informação e definição de políticas nacionais de saúde.

Objetivo: Apresentar os achados epidemiológicos de 2024 do CBD, conduzido pela Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), e compará-los aos anos anteriores.

Métodos: Realizou-se pesquisa entre centros brasileiros de diálise crônica por participação voluntária, utilizando questionário online para avaliar características clínicas e epidemiológicas de pacientes em diálise e atributos dos centros. Para estimar a prevalência, a incidência e a fonte de financiamento, foi selecionada uma amostra aleatória nacionalmente representativa de centros de diálise, estratificada por região geográfica. (n = 258). ]

Resultados: Um total de 386 centros de diálise (42,7%) respondeu voluntariamente ao questionário online e 162 centros dentre os selecionados aleatoriamente forneceram dados. Em 1o de julho de 2024, o número estimado de pacientes em diálise era 172.585, com 52.944 novos pacientes iniciando diálise em 2024. Taxas estimadas de prevalência e incidência por milhão da população (pmp) foram 812 e 249, respectivamente. Entre pacientes prevalentes, 87,3% estavam em hemodiálise, 7,1% em hemodiafiltração, 5,6% em diálise
peritoneal. Comparado ao ano anterior, houve aumento no uso de cateteres para acesso vascular de hemodiálise, juntamente com maiores taxas de prevalência de anemia, hiperfosfatemia, hiperpotassemia e baixo Kt/V. A taxa bruta estimada de mortalidade anual foi 16,5%.

Conclusões: Dados de uma amostra aleatória de centros de diálise indicam aumento contínuo no número e prevalência de pacientes em diálise crônica no Brasil. Piores tendências em relação ao acesso vascular, adequação da diálise e
controle metabólico ressaltam a necessidade de melhorias direcionadas ao cuidado dos pacientes.

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RESUMO

Objetivos: validar o instrumento de percepção da autoeficácia da família no cuidado domiciliar à criança em diálise peritoneal.

Métodos: estudo metodológico. Apresentou-se o polo teórico, conduzido por meio de revisão da literatura, pesquisa de campo, elaboração dos itens, validação de conteúdo por um comitê de juízes e análise semântica com famílias.
Estabeleceu-se o percentual de concordância inter-juízes de 80%, o Índice de Validade de Conteúdo de 0,8 e o Índice Kappa de 1,0.

Resultados: os itens da escala foram elaborados a partir da definição do construto autoeficácia da família, contemplando quatro dimensões que correspondem aos comportamentos de cuidado dos membros da família. A validação de conteúdo obteve 84% de concordância entre os juízes, com Índice de Validade de Conteúdo de 0,84 e Kappa total de 0,70. Na análise semântica, verificou-se concordância de 100%.

Conclusões: o instrumento apresentou boa concordância entre os juízes e população-alvo.


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RESUMO

Objetivos: Acute kidney injury (AKI) is a serious complication after lung transplantation, but the reported incidence varies in the literature. No data on AKI have been  published from the Swedish lung transplantation program.

Métodos: The aim of our study was to investigate the incidence, perioperative risk factors, and effects of early postoperative acute kidney injury (Kidney Disease Improving Global Outcomes [KDIGO] criteria) after lung transplantation. A retrospective, nationwide study of 568 lungtransplanted patients in Sweden between 2011 and 2020 was performed.

Resultados: The incidence of AKI (any grade) was 42%. Renal replacement therapy was used in 5% of the patients. Preoperative factors independently associated with increased incidence of AKI were higher body mass index (odds ratio [OR]: 1.07, 95% CI: 1.02, 1.12) longer time on transplantation waiting list (OR: 1.05 [1.01, 1.09]), retransplantation (OR: 2.24 [1.05, 4.80]) and moderate to severe tricuspid regurgitation (OR: 2.61 [1.36, 5.03]). Intraoperative factors independently associated with increased incidence of AKI were use of cardiopulmonary bypass (OR: 2.70 [1.57, 4.63]), increasing number of transfused red blood cell units, and use of immunosuppressive therapy other than routine (OR: 2,56 [1.47, 4.46]). A higher diuresis (OR: 0.70, 95% CI: 0.58–0.85) was associated with less incidence of acute kidney injury

Development of AKI was associated with increased time to extubation (median 30 h, IQR [9, 118] vs. 6 [3, 16]), length of stay in the intensive care unit (9 days [4, 25] vs.3 [2, 5]) and increased rate of primary graft dysfunction (OR 2.33 [1.66, 3.29]) and 30-day mortality (OR: 10.8 [3.0, 69]).

Conclusões: Acute kidney injury is common after lung transplantation and affects clinical outcomes negatively. Preoperative factors may be used for risk assessment. 

The use of cardiopulmonary bypass is a potentially modifiable intraoperative risk  factor.


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RESUMO

Artigo de Revisão

O êxito da diálise peritoneal (DP) depende da obtenção de um acesso peritoneal funcional, seguro e duradouro. Nas últimas décadas, avanços no desenho dos cateteres e nas técnicas de inserção foram consolidados, destacando-se o cateter de Tenckhoff como o mais utilizado.

Apesar disso, a prevalência da DP no Brasil permanece reduzida, condicionada por limitações técnicas e logísticas no implante do cateter e pelo intervalo entre a indicação do método e a realização do procedimento.

Esta revisão analisa criticamente as principais modalidades de implantação do cateter para DP, enfatizando aspectos técnicos, desfechos clínicos e complicações. A cirurgia convencional possibilita visualização direta da cavidade de forma simples e segura, enquanto as técnicas percutâneas, sobretudo as guiadas por ultrassonografia e fluoroscopia, reduzem o tempo de hospitalização e ampliam a aplicabilidade do procedimento pelo nefrologista.

Evidências comparativas demonstram que as abordagens percutâneas apresentam baixas taxas de complicações infecciosas e mecânicas, com boa sobrevida do cateter, enquanto os implantes videolaparoscópicos parecem alcançar melhores resultados entre as modalidades mais utilizadas, embora com maior complexidade técnica e logística. A
heterogeneidade dos estudos limita conclusões definitivas, reforçando a necessidade de ensaios clínicos randomizados robustos. Uma utilização sistemática de métodos de imagem pode ampliar a acurácia técnica, enquanto a
participação ativa do nefrologista no implante é determinante para reduzir atrasos, otimizar desfechos clínicos e expandir o uso da DP.

A padronização dos procedimentos e a difusão de técnicas minimamente invasivas configuram perspectivas promissoras para o fortalecimento da DP como modalidade terapêutica.


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RESUMO

Introdução: A Doença Renal Crônica (DRC) está associada a uma elevada carga de sintomas. No Brasil, não há instrumento específico para aferição de sintomas em pacientes com DRC em cuidados paliativos. A Integrated Palliative Care Outcome Scale Renal – (IPOSRenal) é uma escala já traduzida e validada em treze idiomas.

Objetivo: Traduzir, adaptar transculturalmente e validar a IPOS-Renal para o português do Brasil.

Métodos: Estudo metodológico realizado em oito fases: definição conceitual, tradução para o português, retrotradução, revisão por especialistas, entrevistas cognitivas, leitura de prova, testes psicométricos e relatório final. Foram avaliados 153 pacientes com DRC estágio G5, utilizando a IPOS-Renal e o Edmonton Symptom Assessment System (ESAS-r), entre fevereiro e março de 2024, com reaplicação dos instrumentos após quinze dias em 95 pacientes.

Resultados: A escala apresentou consistência interna, confiabilidade, estabilidade temporal e validade convergente com o ESAS-r. Os sintomas mais prevalentes foram sonolência (44%), dificuldade para caminhar (44%), cansaço/falta de energia (43%) e dor (36%). Sintomas menos frequentes incluíram falta de ar (7%), diarreia (14%) e vômitos (14%). A intensidade insuportável foi rara, destacando sintomas emocionais (5%), dificuldade para dormir (3%) e cansaço/falta de energia (3%). A intensidade variou, sendo forte para dor (24–25%) e sonolência (21%), e moderada para dificuldade para caminhar (25%) e cansaço/falta de energia (22%).

Conclusão: A versão em português do Brasil do IPOS-Renal é válida, confiável e adequada para identificar sintomas biopsicossociais em pacientes com DRC estágio 5.


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RESUMO

Os avanços no transplante renal têm transformado significativamente o tratamento da insuficiência renal crônica, melhorando os desfechos clínicos e a qualidade de vida dos pacientes. As inovações cirúrgicas, como laparoscopia e cirurgia robótica, possibilitam técnicas minimamente invasivas, que reduzem o trauma cirúrgico e promovem uma recuperação mais rápida.

Esses métodos têm demonstrado não apenas uma diminuição do tempo de internação, mas também uma redução considerável das complicações pós-operatórias, como infecções e sangramentos, resultando em uma experiência mais segura e eficiente para os pacientes. No âmbito da imunossupressão, as novas terapias têm se mostrado crucial na prevenção da rejeição do enxerto. Medicamentos de última geração, que atuam de maneira mais específica no sistema imunológico, têm permitido uma abordagem mais eficaz, reduzindo o risco de efeitos colaterais severos, como infecções e neoplasias. A personalização da terapia imunossupressora, levando em consideração perfis imunológicos individuais, tem se mostrado uma estratégia promissora para otimizar os resultados e aumentar a sobrevida dos enxertos.

Apesar desses avanços, desafios significativos ainda permanecem, como a escassez de órgãos disponíveis e a rejeição crônica. A pesquisa contínua em técnicas de preservação de órgãos, engenharia de tecidos e a indução da tolerância imunológica são essenciais para enfrentar esses obstáculos e melhorar a sustentabilidade do transplante renal. O futuro do transplante renal se destaca com promessas de novas soluções, incluindo órgãos bioartificiais e terapias celulares. Essa combinação de inovações tecnológicas e científicas não apenas transforma o panorama do transplante, mas também oferece esperança renovada para pacientes afetados pela doença renal crônica, proporcionando-lhes a possibilidade de uma vida mais saudável e plena. 


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RESUMO

Objetivo: Conhecer a produção científica acerca das infecções da corrente sanguínea associadas ao cateter venoso central em indivíduos em tratamento de hemodiálise.

Métodos: Trata-se de uma revisão integrativa, realizada em março de 2023, desenvolvida a partir de estudos disponíveis no formato digital, publicados em periódicos indexados às fontes de dados nacionais e internacionais na Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde, National Library of Medicine, SciVerse Scopus, Scientific Electronic Library Online e Wiley Online Library.

Resultados: Identificou-se 13.299 artigos, após a implementação dos critérios de inclusão foram selecionados oito estudos como amostra final. A maioria das publicações eram internacionais e se concentraram no ano de 2022, evidenciou-se números preocupantes acerca de infecções relacionadas ao cateter para hemodiálise por microrganismos gram-positivos, estando associadas às internações hospitalares e mortalidade populacional.

Considerações finais: O estadiamento infeccioso encontra-se associado à presença de fatores de risco que permeiam desde aspectos individuais, aspectos relacionados aos microrganismos e à própria terapia hemodialítica. Os cuidados identificados na literatura irão subsidiar a elaboração de critérios de qualidade para o monitoramento dos pacientes em uso de cateter, com vistas à redução de infecções e aprimoramento de processos para o controle destas.

 


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RESUMO

Objetivo: Compreender as estratégias para reconhecer precocemente os sinais da lesão renal (LR)

Método: Este trabalho é uma revisão bibliográfica norteada pelas bases de dados: LILACS, SBN, ABTO, ABCDT, SciELO, BVSMS, SBPC/ML e leis vigentes. Entre 2002 e 2020, adotando como critério de exclusão indivíduos com LR estabelecida em diagnóstico prévio, incluindo indivíduos acima de 18 anos

Resultado: Durante a pesquisa foram encontradas informações relevantes no que concerne a ausência de uma ferramenta preditiva para detecção precoce da LR que auxilie o enfermeiro no seu cotidiano, assim como, a ausência de um protocolo assistencial direcionado.

Conclusão: Ainda que os dados auxiliares na detecção precoce da LR estejam disponíveis e acessíveis, notou-se a existência de uma lacuna: a falta de agrupamento desses dados. Neste caso, compilar os principais biomarcadores e fatores de risco em uma ferramenta é preponderante. Desde a Lei do Exercício Profissional no 7.498 e a Resolução COFEN n° 272/02, que respectivamente tratam da atuação do enfermeiro e a sua principal ferramenta de trabalho a SAE (sistematização da assistência de enfermagem), uma série de novas tecnologias e ferramentas foram acrescidas para a melhoria contínua do cuidado.

 


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