Resumo:
Introdução: O Censo Brasileiro de Diálise (CBD) anual desempenha papel fundamental na informação e definição de políticas nacionais de saúde.
Objetivo: Apresentar os achados epidemiológicos de 2024 do CBD, conduzido pela Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), e compará-los aos anos anteriores.
Métodos: Realizou-se pesquisa entre centros brasileiros de diálise crônica por participação voluntária, utilizando questionário online para avaliar características clínicas e epidemiológicas de pacientes em diálise e atributos dos centros. Para estimar a prevalência, a incidência e a fonte de financiamento, foi selecionada uma amostra aleatória nacionalmente representativa de centros de diálise, estratificada por região geográfica. (n = 258). ]
Resultados: Um total de 386 centros de diálise (42,7%) respondeu voluntariamente ao questionário online e 162 centros dentre os selecionados aleatoriamente forneceram dados. Em 1o de julho de 2024, o número estimado de pacientes em diálise era 172.585, com 52.944 novos pacientes iniciando diálise em 2024. Taxas estimadas de prevalência e incidência por milhão da população (pmp) foram 812 e 249, respectivamente. Entre pacientes prevalentes, 87,3% estavam em hemodiálise, 7,1% em hemodiafiltração, 5,6% em diálise
peritoneal. Comparado ao ano anterior, houve aumento no uso de cateteres para acesso vascular de hemodiálise, juntamente com maiores taxas de prevalência de anemia, hiperfosfatemia, hiperpotassemia e baixo Kt/V. A taxa bruta estimada de mortalidade anual foi 16,5%.
Conclusões: Dados de uma amostra aleatória de centros de diálise indicam aumento contínuo no número e prevalência de pacientes em diálise crônica no Brasil. Piores tendências em relação ao acesso vascular, adequação da diálise e
controle metabólico ressaltam a necessidade de melhorias direcionadas ao cuidado dos pacientes.
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RESUMO
Objetivos: validar o instrumento de percepção da autoeficácia da família no cuidado domiciliar à criança em diálise peritoneal.
Métodos: estudo metodológico. Apresentou-se o polo teórico, conduzido por meio de revisão da literatura, pesquisa de campo, elaboração dos itens, validação de conteúdo por um comitê de juízes e análise semântica com famílias.
Estabeleceu-se o percentual de concordância inter-juízes de 80%, o Índice de Validade de Conteúdo de 0,8 e o Índice Kappa de 1,0.
Resultados: os itens da escala foram elaborados a partir da definição do construto autoeficácia da família, contemplando quatro dimensões que correspondem aos comportamentos de cuidado dos membros da família. A validação de conteúdo obteve 84% de concordância entre os juízes, com Índice de Validade de Conteúdo de 0,84 e Kappa total de 0,70. Na análise semântica, verificou-se concordância de 100%.
Conclusões: o instrumento apresentou boa concordância entre os juízes e população-alvo.
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RESUMO
Objetivos:
Acute kidney injury (AKI) is a serious complication after lung transplantation, but the reported incidence varies in the literature. No data on AKI have been published from the Swedish lung transplantation program.
Métodos:
The aim of our study was to investigate the incidence, perioperative risk factors, and effects of early postoperative acute kidney injury (Kidney Disease Improving Global Outcomes [KDIGO] criteria) after lung transplantation. A retrospective, nationwide study of 568 lungtransplanted patients in Sweden between 2011 and 2020 was performed.
Resultados: The incidence of AKI (any grade) was 42%. Renal replacement therapy was used in 5% of the patients. Preoperative factors independently associated with increased incidence of AKI were higher body mass index (odds ratio [OR]: 1.07, 95% CI: 1.02, 1.12) longer time on transplantation waiting list (OR: 1.05 [1.01, 1.09]), retransplantation (OR: 2.24 [1.05, 4.80]) and moderate to severe tricuspid regurgitation (OR: 2.61 [1.36, 5.03]). Intraoperative factors independently associated with increased incidence of AKI were use of cardiopulmonary bypass (OR: 2.70 [1.57, 4.63]), increasing number of transfused red blood cell units, and use of immunosuppressive therapy other than routine (OR: 2,56 [1.47, 4.46]). A higher diuresis (OR: 0.70, 95% CI: 0.58–0.85) was associated with less incidence of acute kidney injury.
Development of AKI was associated with increased time to extubation (median 30 h, IQR [9, 118] vs. 6 [3, 16]), length of stay in the intensive care unit (9 days [4, 25] vs.3 [2, 5]) and increased rate of primary graft dysfunction (OR 2.33 [1.66, 3.29]) and 30-day mortality (OR: 10.8 [3.0, 69]).
Conclusões: Acute kidney injury is common after lung transplantation and affects clinical outcomes negatively. Preoperative factors may be used for risk assessment.
The use of cardiopulmonary bypass is a potentially modifiable intraoperative risk factor.
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RESUMO
Artigo de Revisão
O êxito da diálise peritoneal (DP) depende da obtenção de um acesso peritoneal funcional, seguro e duradouro. Nas últimas décadas, avanços no desenho dos cateteres e nas técnicas de inserção foram consolidados, destacando-se o cateter de Tenckhoff como o mais utilizado.
Apesar disso, a prevalência da DP no Brasil permanece reduzida, condicionada por limitações técnicas e logísticas no implante do cateter e pelo intervalo entre a indicação do método e a realização do procedimento.
Esta revisão analisa criticamente as principais modalidades de implantação do cateter para DP, enfatizando aspectos técnicos, desfechos clínicos e complicações. A cirurgia convencional possibilita visualização direta da cavidade de forma simples e segura, enquanto as técnicas percutâneas, sobretudo as guiadas por ultrassonografia e fluoroscopia, reduzem o tempo de hospitalização e ampliam a aplicabilidade do procedimento pelo nefrologista.
Evidências comparativas demonstram que as abordagens percutâneas apresentam baixas taxas de complicações infecciosas e mecânicas, com boa sobrevida do cateter, enquanto os implantes videolaparoscópicos parecem alcançar melhores resultados entre as modalidades mais utilizadas, embora com maior complexidade técnica e logística. A
heterogeneidade dos estudos limita conclusões definitivas, reforçando a necessidade de ensaios clínicos randomizados robustos. Uma utilização sistemática de métodos de imagem pode ampliar a acurácia técnica, enquanto a
participação ativa do nefrologista no implante é determinante para reduzir atrasos, otimizar desfechos clínicos e expandir o uso da DP.
A padronização dos procedimentos e a difusão de técnicas minimamente invasivas configuram perspectivas promissoras para o fortalecimento da DP como modalidade terapêutica.
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RESUMO
Introdução:
A Doença Renal Crônica (DRC) está associada a uma elevada carga de sintomas. No Brasil, não há instrumento específico para aferição de sintomas em pacientes com DRC em cuidados paliativos. A Integrated Palliative Care Outcome Scale Renal – (IPOSRenal) é uma escala já traduzida e validada em treze idiomas.
Objetivo:
Traduzir, adaptar transculturalmente e validar a IPOS-Renal para o português do Brasil.
Métodos:
Estudo metodológico realizado em oito fases: definição conceitual, tradução para o português, retrotradução, revisão por especialistas, entrevistas cognitivas, leitura de prova, testes psicométricos e relatório final. Foram avaliados 153 pacientes com DRC estágio G5, utilizando a IPOS-Renal e o Edmonton Symptom Assessment System (ESAS-r), entre fevereiro e março de 2024, com reaplicação dos instrumentos após quinze dias em 95 pacientes.
Resultados:
A escala apresentou consistência interna, confiabilidade, estabilidade temporal e validade convergente com o ESAS-r. Os sintomas mais prevalentes foram sonolência (44%), dificuldade para caminhar (44%), cansaço/falta de energia (43%) e dor (36%). Sintomas menos frequentes incluíram falta de ar (7%), diarreia (14%) e vômitos (14%). A intensidade insuportável foi rara, destacando sintomas emocionais (5%), dificuldade para dormir (3%) e cansaço/falta de energia (3%). A intensidade variou, sendo forte para dor (24–25%) e sonolência (21%), e moderada para dificuldade para caminhar (25%) e cansaço/falta de energia (22%).
Conclusão:
A versão em português do Brasil do IPOS-Renal é válida, confiável e adequada para identificar sintomas biopsicossociais em pacientes com DRC estágio 5.
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